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LETTS GO #15 – ORIGINAIS
(Domingos às 17:00h na rádio Antena Zero)

Como você já sabe, o Letts Go é o programa que traça o paralelo entre o punk, o rock, o ska e o reggae, mostrando que estes cenários tem muito mais em comum do que podemos imaginar. E assim como o mestre Don Letts já nos apontou no final da década de 70, estamos aqui para recuperar este espírito de união entre os gêneros.

Hoje vamos apontar um característica muito importante nessa história, que assim como em outros gêneros musicais, as “versões musicais” tiveram um grande papel nessa união de estilos.

Na primeira edição do Letts Go, falamos sobre o “ponto de partida” disso tudo, que foi a versão do The Clash para a música de Junior Murvin “Police & Thieves”, clássico jamaicano que com certeza ganhou sua maior visibilidade com a versão dos punks ingleses do The Clash.

Outra versão que superou a canção original, foi o hit dos anos 80 “Pass The Dutchie” na versão do Musical Youth. Versão essa que chegou a ser o single #1 na Inglaterra e Top 10 nos Estados Unidos, somando mais de 5 milhões de cópias vendidas no mundo todo.

“Pass The Dutchie” na verdade é uma versão das músicas “Gimme The Music” (U Brown) e “Pass The Kouchie” do trio jamaicano The Mighty Diamonds, versão que originalmente falava sobre o uso de cannabis (Kouchie sendo uma gíria para o cachimbo usado para fumar) foi adaptada para uma versão que fala sobre comida (Dutchie sendo também uma gíria para onde a comida é cozinhada, como uma panela).

O Musical Youth foi também um dos primeiros grupos negros a aparecer na MTV com o clipe de “Pass The Dutchie” dirigido por ninguém mais ninguém menos que o próprio Don Letts.

Assim como a versão de “Police & Thieves” ganhou visibilidade na versão do The Clash, outro clássico do The Clash também é uma versão que “superou” a original. “I Fought The Law” foi escrita por Sonny Curtis do The Crickets e popularizada na versão do The Bobby Fueller Four em 1966 (13 anos antes da versão do The Clash).

Outro clássico, “I Love Rock & Roll” do The Arrows, também é tão associado à versão de Joan Jett, que muitas pessoas nem mesmo se dão conta de que se trata de um cover. Mas nós sabemos que a Joan Jett é uma “expert” em transformar versões em canções que são “praticamente próprias”, como: Crimson & Clover, Love is All Around, You Don’t Own Me, Do You Want to Touch Me (Oh Yeah) e Love Stinks.

Mas não é só o punk e o rock que se beneficiaram de versões! “Red Red Wine”, gravada por Tony Tribe em 1969 (e que é a trilha BG do terceiro bloco do Letts Go), explodiu na versão do UB40 nos anos 80, mas na verdade uma balada composta pelo americano Neil Diamond em 1967.

O hit “Girls Just Wanna Have Fun”, que obviamente nos lembra do visual punk de Cindy Lauper, junto com o a descontração do pop e da diversão de garotas, também chega a ser até um pouco assustador de pensar que se trata de uma música do americano Robert Hazard de 1979.

Na era 2-Tone, comandada por Jerry Dammers e o The Specials, versões de clássicos jamaicano não faltaram. Por mais que algumas bandas como o The Beat (porteriormente The English Beat) fizeram versões como “Tears Of A Clown” (Smokey Robinson, Stevie Wonder e Hank Cosby) e o The Selecter com “My Boy Lollipop” (Barbie Gaye), os clássicos jamaicanos também ganharam um novo fôlego na segunda onda do ska.

O rocksteady  “Rudy, A Message To You” de Dandy Livingstone chegou ao Top 10 do Reino Unido na versão do The Specials em 1979. Vale lembrar que o mestre Rico Rodriguez é o responsável pelo trombone, tanto na versão de Dandy Livingstone, quanto na do The Specials.

The Specials também aproveitou outras pérolas jamaicanas para construir suas próprias versões, como “Birth Control” de Lloyd Charmers que virou “Too Much Too Young” na versão dos ingleses.

Cecil Bustamente Campbell, mais conhecido como Prince Buster, também teve seus clássicos revigorados na era 2-Tone. Além da versão de “Al Capone” que deu origem a “Gangsters” na versão do The Specials (como vimos na primeira edição do Letts Go), a música lado B do single “Al Capone”, marca também Prince Buster como o responsável pela versão original do hit que veio a colocar os britânicos do Madness no mapa mundial,  “One Step Beyond”!

Dentro do punk rock também existem muitas versões. Canções ordinárias que viraram clássicos do punk, como hits que viraram versões ordinárias.

Em 2002, os californianos do NOFX lançaram um álbum duplo chamado “45 or 46 Songs That Weren’t Good Enough To Go On Our Other Records” (45 ou 46 músicas que não foram boas o suficiente para entrar em nossos outros discos). O disco conta na verdade com 47 músicas, dentre elas: singles, demos, lados B e versões que vão desde o clássico “All Of Me” (conhecido nas versões de Billie Holiday, Louis Armstrong e Willie Nelson) aos ingleses do Orchestral Manoeuvres In The Dark com “Electricity”.

O disco foi lançado também em vinil com o nome de “22 Songs That Weren’t Good Enough To Go On Our Other Records”. A versão em vinil conta com 21 faixas.

Clássicos como “Hanging On The Telephone” que seria o ‘carro chefe’ do The Nerves, só  ganhou popularidade na versão do Blondie e uma das faixas principais, do Circle Jerks, que inclusive dá nome ao segundo disco da banda “Wild In The Street”, é na verdade uma versão de Garland Jeffreys de 1973.

E finalizamos com o clássico “Wrong ‘Em Boyo” do The Rulers, que fazia parte da playlist da jukebox de onde ensaiava o The Clash. A música conta a história do mito de Stag ‘O Lee, ou Stagger Lee (como ficou conhecido posteriormente) e como esse assassinou Billy Lyons após Billy ter tentado trapacear em um jogo de dados.

O baixista Paul Simonon, notório fã da música jamaicana, em particular, gostava muito desta música que hoje é uma das faixas do icônico disco “London Calling”.

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Confira a playlist que fizemos para você no perfil da Crasso Records no Spotify:

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