Jamaica entre nós

Acontece no Sesc 24 de Maio a exposição “Jamaica, Jamaica!” concebida pela Cité de la musique – Philharmonie de Paris, produzida e realizada pelo Sesc São Paulo. A mostra tem curadoria do jornalista e diretor cinematográfico francês Sébastien Carayol, e está aberta ao público até o dia 26 de agosto. A exposição faz um panorama histórico sobre a música jamaicana, incluindo fotografias, capas de álbuns, instrumentos originais, como a guitarra em formato de um fuzil de Peter Tosh, materiais gráficos, documentos e sound systems.

A exposição traça um olhar social, político e cultural da ilha, tendo como fio condutor a produção musical. Ao vir para o Brasil, a mostra também explora a expansão da música jamaicana no Brasil principalmente no Maranhão, Bahia e São Paulo. Ocupando o quinto andar do Sesc 24 de Maio, um dos principais objetivos da exposição é mostrar que o país caribenho, berço de uma das principais correntes musicais da segunda metade do século XX, vai muito além do reggae e do ícone Bob Marley.

Aliás, a produção cultural e musical da Jamaica, não é limitada de forma alguma ao Bob Marley, embora seu legado seja forte até os dias atuais. O cantor morreu de câncer em 1981, depois de vender 200 milhões de discos, e nessa época outra vertente da música jamaicana ganhou força na ilha. O dancehall, bem distante da espiritualidade rastafári, ganhou força nas ruas, bailes e guetos.

A complexidade que envolve a ilha caribenha é representada em núcleos temáticos que reúnem objetos icônicos, como pôster, instrumentos, vinis, livros, pinturas e fotografias, inclusive no que diz respeito à influência da produção musical jamaicana no Brasil. Ritmos como; ska, dub, reggae, dancehall e rastafári exerceram muita influência em diversos cenários musicais brasileiros. O Maranhão por exemplo é considerada a “Jamaica Brasileira”, enquanto na Bahia o reggae explodiu junto com o início da cultura dos blocos afro. No recôncavo baiano, além da musicalidade, a espiritualidade originada na ilha caribenha também achou o seu lugar. Em São Paulo, os estilos musicais jamaicanos tem muitos adoradores, embora tenha menos visibilidade.

 

Confira aqui o programa “LETTS GO” que aborda um pouco sobre o Early Reggae jamaicano e suas influências.

Aproveite para escutar o álbum “Unity” lançado pela Crasso Records. Primeiro “SPLIT” de reggae lançado no território brasileiro e trás faixas das bandas Bambú Station (Ilhas Virgens) e os paulistas do Sensimilla Dub com participação de João (Ratos de Porão), Niko Souza, Mato Seco e outros.

– Merch Sensimilla Dub: http://crasso.iluria.com/pd-3309a9-cd-unity-bambu-station-sensimilla-dub.html?ct=72a29&p=1&s=1