LETTS GO #01 – Police And Thieves

LETTS GO #01 – Police and Thieves
(Domingos às 17:00h na rádio Antena Zero)

Don Letts é considerado como uma das principais peças na introdução da música jamaicana no cenário punk da inglaterra. Segundo ele mesmo, como não havia ainda uma grande quantidade de discos punk para serem tocados, (muito porque as bandas daquele cenário ainda iriam gravar os seus próprios discos) grande parte de seus sets como DJ era composto de dub e reggae.

Mas, vamos pelo início…

Onde tudo (ou muito) começou…  1977, Junior Murvin lançava o seu álbum de estreia “Police and Thieves” produzido por Lee “Scratch” Perry.  A música título do álbum teria sido originalmente escrita e apresentada por Junior Murvin para Lee “Scratch” Perry em seu estúdio Black Ark, em Kingston na Jamaica, e Lee decidiu gravar aquele som na mesma tarde, reescrevendo um pouco da letra.

No dia seguinte, foram feitas versões dub e algumas gravações com outras letras e em poucos dias já estava nas ruas da Jamaica. Uma dessas versões conta com a banda do próprio Lee “Scratch” Perry, o The Upsetters, que gravaram a versão dub chamada “Grumbling Dub” que virou um hit jamaicano.

Outras versões ficaram bem conhecidas como a do DJ Jah LionSoldier and Police War” e a versão do saxofonista Glen DaCostaMagic Touch”.

Um ano depois da gravação original de “Police and Thieves”, o The Clash lança o seu próprio álbum de estreia com a sua versão para o hit jamaicano. Nessa versão, Joe Strummer faz uma homenagem a outros ícones do punk rock, os Ramones, começando a música com uma frase de Blitzkrieg Bopthey’re going through a tight wind”. Segundo Joe Strummer, a versão do The Clash era um “punk reggae” e não um “white reggae”.

O The Clash também, obviamente, foi crucial nesta mistura dos cenários rasta e punk. Ao longo de sua carreira, sempre mostraram suas influências jamaicanas tanto em suas próprias músicas como em versões. Uma delas, é a versão de “Pressure Drop” (Toots and The Maytals), no álbum Black Market Clash de 1980. E esse álbum leva na capa uma foto de ninguém menos que o próprio Don Letts.

Don Letts, que apesar de ser um reconhecido DJ e diretor de vídeo, teve  a sua contribuição como músico também.  Um pouco depois do guitarrista Mick Jones ter sido demitido do The Clash, ele e Don Letts formaram o Big Audio Dynamite, que incorporava diversos elementos de música eletrônica, punk rock, hip hop,reggae e funk.

Futuramente, outra banda com influências de punk rock e música jamaicana, veio mostrar o que pode sair dessa junção. A banda de ska da era 2-Tone “The Specials” surgiu e muito de seu repertório era composto de versões de clássicos jamaicanos. Como a música “Al Capone” de Prince Buster.

Na época em que foi originalmente lançada (1964), os jamaicanos tinham uma facinação pelos filmes de Hollywood, em especial os Westerns e os filmes de gângsters, e “Gangsters” foi exatamente o nome dado para a versão feita por The Specials, onde no lugar de “Al Capone” a música diz “Bernie Rhodes knows, don’t argue”, e Bernie Rhodes era o empresário da banda com a qual o The Specials chegou a abrir alguns shows em tour, o The Clash.

Outras bandas da era 2-Tone também mostraram suas novas versões de clássicos, como o Madness, Bodysnatchers, The Beat, entre outros.

Outra banda que chegou a abrir shows do The Clash no final da década de 70, era o The Slits, mas nessa banda, o empresário não era o Bernie Rhodes, e sim O PRÓPRIO Don Letts que mais uma vez aparece contribuindo para o cenário musical.

Mais recentemente, outra banda que contribuiu MUITO com a fusão desses dois mundos, foram os californianos do Rancid. Liderada por Tim Armstrong (esse que foi o produtor  do álbum “Rebirth” de Jimmy Cliff de 2012), a banda além de trazer diversas influências da música jamaicana em suas composições, já tiveram grandes nomes em participações de seus discos, como Neville Staple do The Specials que participa da faixa “Hooligans” do disco “Life Won’t Wait”. Faixa essa composta por Tim Armstrong, Lars Frederiksen e Vic Ruggiero (linha de frente da banda The Slackers da terceira onda do ska).

Assim como o The Slackers, outra banda que dá uma “repaginada” no rítmo jamaicano é o The Aggrolites. Surgindo em 2002 em Los Angeles, o The Aggrolites lança o seu primeiro álbum chamado “Dirty Reggae” dixando bem clara qual é a proposta da banda.

Além de terem sido a banda de apoio de Tim Armstrong em seu disco solo “A Poet’s Life”, o Aggrolites já foi também banda de nomes como: Derrick Morgan, Phyllis Dillon e Prince Buster.

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