We Are The Mods

WE ARE THE MODS

Hoje vamos contar pra vocês um pouco sobre a cultura Mod, e para se entender completamente o surgimento do movimento Mod, é preciso conhecer um pouco de história, arte, moda e música, claro! Temos algumas transformações ocorridas no início do século XX, que influenciaram esse estilo de vida, então partiremos do princípio, bem resumidamente:

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Eric Hobsbawm, um historiador da Alexandria muito influente no século 20, definiu essa época como: Era dos Extremos, revolucionários ou radicais. O mundo estava uma loucura, a Europa estava se recuperando de uma guerra mundial, quando uma pequena parte da população fazia a diferença não só pelas dificuldades econômicas, sociais, geográficas, raciais ou políticas, faziam pelo espírito jovem e libertador de transformar o mundo. Pois é, os jovens, por incrível que pareça, começaram uma inusitada forma de música e comportamento! Pela primeira vez na história: The youth has power!

E simultaneamente,  acontecia o movimento modernista, Pablo Picasso e Georges Braque (entre outros) trouxeram o cubismo e algumas influências da arte moderna, inspirados pelo movimento Art Nouveau, onde um dos termos mais usados era “less is more” – menos é mais – e isto pode ser considerado como ponto de partida do que viria a ser conhecido, mais tarde, do que foi o movimento Mod.92e0245679c38f482f68626b2afea5e9--swinging-london-swinging-sixties

Certo! Então, Mod é uma subcultura que começou em Londres aprox. em 1958, juntando a arte da música e da moda e os adolescentes de famílias de classe média baixa. Eles eram entusiastas, preocupados em associar suas preferências musicais ao modo de se vestir e agir, e transmitir isso para todos, o título foi denominado pela imprensa local como os Moderns, ou simplesmente Mods, ou seja, os ‘moderninhos revolucionários’ da época. Como todo jovem, também havia a fase da loucura sem fim, aquela fase que você tem que conciliar trabalho com a vida social, não podia perder uma night na danceteria pra ouvir um jazz moderno e R&B, mostrar o look e ficar muito louco! Logo vieram duas novas características dos mods, primeiro o meio de locomoção, as scooters, rápidas e acessíveis e depois, a vida boêmia, junto dos entorpecentes (dos mais usados: anfetamina).

Em síntese os Mods eram: Música, moda, scooters e drogas. Tudo de um modo inovador, e hoje vamos desenrolar um pouco sobre todos esses assuntos.

::Moda Mod::

As roupas da moda eram aquelas estritamente alinhadas, com encaixe perfeito, italian suit is the new black, e apenas marcas famosas tinham aderido esse estilo, completamente diferente da moda vivida naquela época (anos 50). No guarda-roupas de um Mod não poderia faltar as camisas Fred Perry, botas Clark Desert, calças Levi’s, além das famosas camisetas com o símbolo da Royal Air Force. E para completar o uniforme modelo, era preciso ostentar uma das famosas parkas militares.

Ficava um pouco difícil o acesso dessas roupas pra população mais simples, mas; porém; contudo; todavia, como sempre há um jeito, as famílias que trabalhavam na indústria e no comércio de tecidos (que estava em alta), também começaram a ter acesso às essas tendências que muitas vezes eram confeccionadas em casa, sob medida.

of-twiggy-02O estilo Mod também gerou a tendência do “color blocking” que combina cores vibrantes em um mesmo look. Os tecidos novos irradiavam cores diferentes, preto sempre contrastando com o branco, complementados com toques de vermelho vivo, amarelo, laranja, rosa, azul piscina e tons pastéis para dar uma amenizada. Também usavam estampas em formas geométricas diferentes, xadrez, listras, círculos, entre outros. Para as mulheres, calça justa capri, mini saia, vestidos curtos, manga ¾ ou sem mangas. A maquiagem só marcava os olhos, do tipo Twiggy (top model da época), cabelinho curto, muitos acessórios, bandanas, jóias ousadas, óculos de sol grandes e modernos, e nos pés botas robustas de couro na altura do tornozelo ou joelho.

Para os homens: terno slim básico, blusas polos e suéteres. Corte de cabelo estilo mop-top, gravatas estreitas, boinas e cachecóis, botas de couro, bottons de bandas mod, estampas com bandeiras da Inglaterra e, lógico, o casacão estilo militar londrino em cima de tudo, pra completar o estilo.

::Vida Social Mod::

A vida social urbana era impulsionada, em parte, por anfetaminas, usada não somente para recreação, mas eles acreditavam que a droga os deixava mais concentrados, ligados, estimulava o desenvolvimento pessoal, e não a fim de denegrir o corpo e a imagem. Era como falar de cannabis com um Rastafári.

Os clubes noturnos mais conhecidos e mais frequentados eram o The Flamingo e The Marquee em Londres. Palco de muitos encontros para ouvir os últimos discos e mostrar seus movimentos de dança. À medida que a subcultura mod se espalhava pelo Reino Unido, outros clubes noturnos se tornaram populares, incluindo Twisted Wheel Club em Manchester. O negócio estava crescendo.

mod-scooterSurgiu então a necessidade de um meio de transporte que acompanhasse todas essas mudanças, comportamentais e estéticas; Apareciam as primeiras ‘Scooters’, motonetas produzidas principalmente pela Piaggio-Vespa e Lambretta.

As scooters eram uma forma prática e acessível de transporte para os adolescentes da época, que já não tinham um emprego que era lá essas coisas, e o transporte público encerrava suas atividades muito cedo. Juntando o útil ao agradável, as scooters eram mais baratas, econômicas, versáteis e ágeis. Também não ficavam de fora da customização Mod. As de marca italianas eram as preferidas. Suas formas eram curvadas e tinham algumas partes cromadas! Não contentes, os Mods também pintavam suas scooters usando cores chamativas ecolocavam acessórios até não caber mais. Nessa época veio a obrigatoriedade dos retrovisores, e os jovens, como sempre, afim de zombar de uma lei, colocavam 4, 5, 10 até 30 espelhos em suas scooters.

Como nada na vida é somente curtição, haters sempre aparecem. Havia outra subcultura jovem, conhecida como Rockers, caracterizados por motocicletas do tipo Cafe Racer e por curtirem rock. Sempre entrava em conflito com os mods. Eram rivais. Dizem que os conflitos basicamente eram primeiramente porque serem de regiões diferentes, os mods da cidade e os rockers das áreas rurais. Os Rockers mais conservadores, antiquados, machistas, até tinham traços de ingenuidade por serem do interior e não entendiam essa louca modernidade dos Mods -reacionários- e ao mesmo tempo, denominavam os Mods de afeminados, baderneiros, contra o regime conservador, esnobes e falsos -revolucionários. Tudo dependia do ponto de vista!

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::Música::

Os mods iniciais ouviam  jazz moderno de músicos como Miles Davis, Charlie Parker e o Modern Jazz Quartet, assim como o ritmo americano R&B, de artistas como: Bo Diddley e Muddy Waters. Todos negros vanguardistas do respectivo estilo.

Enquanto o modo de vida se desenvolvia e já era adotado por adolescentes ingleses de todas as classes econômicas, os mods expandiram seus gostos musicais abraçando também o soul, o ska jamaicano e o bluebeat, através de artistas como Skatalites, Owen Gray , Derrick Morgan e Prince Buster. Eles também deixaram sua marca no desenvolvimento da beat music e do R&B britânicos, exemplificados em bandas como Small Faces, The Who, The Yardbirds e The Kinks . Entre as bandas britânicas menos conhecidas associadas ao cenário mod, também temos o The Action, The Creation, The Smoke e John’s Children.

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The Who, então The High Numbers, foram os que ficaram mais conhecidos e um dos motivos foi por arrebentarem completamente seus instrumentos no final dos shows, especialmente Pete Townshend, cuja destruição de guitarras tornou-se um clichê do rock. Keith Moon, mandando seu kit de bateria pelos ares, era o complemento ideal, garantido pela técnica do baixista John Entwistle e pelo carisma de Roger Daltrey. Dois álbuns depois, o Who preparou o terceiro disco, com a preocupação conceitual de abordar o relacionamento entre música, consumismo e os meios de comunicação. O resultado foi The Who – Sell Out. Ficava claro que Townshend direcionava o Who para outras características sonoras. Canções como “Tattoo”. “I Can See For Miles” ou a etérea “Our Love Was, Is” mostravam uma natural expansão da musicalidade do grupo, sem nunca perder o contato com as suas raízes.

O filme Quadrophenia, é baseado no álbum do The Who, e foi uma celebração do movimento mod, inspirando em parte um revival mod no Reino Unido no final da década de 1970, seguido por outro revival na América do Norte no começo dos anos 80, particularmente no sul da Califórnia. Muitas das bandas da época eram influenciadas pela energia do punk rock britânico, e este ressurgimento foi liderado pelo The Jam. Entre outras bandas destacavam-se o Secret Affair, Purple Hearts e The Chords.images

À medida que o mod se tornou global, a indústria fonográfica, numa tentativa de ‘embranquecer’ o tal ritmo negro influenciador de tudo, vê no garoto Elvis Presley sua mais viável oportunidade. Apesar do sucesso de Elvis, novos artistas negros surgiam cada vez mais, como: Little Richards, Chuck Berry, e até James Brown, entre tantos outros, ultrapassaram lugares respeitáveis nas paradas de sucesso.

Contudo, com a ida de Elvis para o exército e a conseqüente “saturação” desse novo gênero que já não dava sinais de longevidade, o rock viveu um grande hiato entre 1959 e 1963. Os grandes ídolos de outrora agora enveredavam pelo caminho mais lucrativo da country music e das baladas açucaradas. A morte do rock era anunciada pela primeira vez.

A trilha sonora oficial de então, era a música soul de selos estadunidenses como a famosa Motown, a Tamla, ou ainda a Stax. A combinação de elementos do soul americano com as melodias calcadas na guitarra rock das redondezas, definiria a estética sonora predominante nesse período.

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Confere a playlist que montamos para ilustrar melhor esse momento: “We Are The Mods”

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